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04/06/2026 | 10:08 | Segurança 3 min de leitura

Mãe de Henry Borel recebe perdão judicial por homicídio e Jairinho é condenado a quase 44 anos de prisão

A decisão proferida na madrugada desta quinta-feira (4) apontou ainda que a mãe do menino foi condenada a um ano e quatro meses pelo crime de omissão

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A decisão proferida na madrugada desta quinta-feira (4) apontou ainda que a mãe do menino foi condenada a um ano e quatro meses pelo crime de omissão
Henry Borel tinha quatro anos quando foi morto em 2021. TV Globo / Reprodução

O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, foi condenado a 43 anos, nove meses e 20 dias de prisão pela morte do enteado, Henry Borel de Medeiros. A decisão foi proferida na madrugada desta quinta-feira, no Segundo Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. 

O crime aconteceu em março de 2021, quando Henry tinha quatro anos. O julgamento começou no dia 23 de maio. 

Monique Medeiros, mãe de Henry, recebeu perdão judicial pelo crime de homicídio doloso. No entanto, foi condenada a um ano e quatro meses de prisão em regime aberto pelo crime de omissão com relação à tortura praticada por Jairinho contra o filho.

Como Monique já estava presa, a juíza Elizabeth Machado Louro reconheceu que a mãe de Henry Borel já cumpriu a pena pelo crime de omissão.

A sentença de Jairinho

Jairinho foi enquadrado em três crimes:

  • Homicídio: pena de 35 anos, seis meses e 20 dias
  • Tortura: pena de seis anos e três meses
  • Coação: pena de dois anos

Além disso, a Justiça também decretou que Jairinho pague indenização de R$ 400 mil para Leniel Borel, pai de Henry.

Além de Jairinho, o médico Jefferson Evangelista Corrêa também foi condenado. Assistente técnica da defesa de Jairinho, ele foi enquadrado no crime de falsa perícia.

Manifestação de Leniel Borel

Ao fim do julgamento, o pai de Henry, Leniel Borel, expressou indignação com o resultado. Ele afirma que o perdão judicial concedido a Monique abre precedente para que outras mães comentam crimes semelhantes. 

— Mataram o meu filho pela terceira vez. O que foi falado ali agora é que a misoginia matou o Henry. O Henry representa essas milhares de crianças que são vítimas todo dia e, por causa de decisões como essa, se abre precedente para outras mães, genitoras, que possam matar os seus filhos, que possam permitir que seus filhos sejam mortos — declarou Leniel. 

A acusação afirmou que irá recorrer da decisão, a qual classificou como "aberração jurídica".

— Vamos recorrer e vamos anular esse júri — afirmou o advogado Cristiano Medina, assistente de acusação que atuou ao lado do Ministério Público durante o julgamento.

Relembre o caso

Henry Borel, na época com quatro anos, deu entrada no hospital Barra D'Or, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, na madrugada do dia 8 de março de 2021. O menino chegou à instituição já sem vida.

No dia da morte, a mãe e o vereador afirmaram que o menino caiu da cama durante a madrugada, ficou desacordado e com os olhos revirados.

De acordo com o laudo pericial, a morte foi causada por "ação contundentre" que provocou hemorragia interna e laceração hepática no menino. Os peritos descobriram várias lesões no crânio, ferimentos internos e hematomas nos membros superiores, constatando a morte violenta.

Peritos consultados pela TV Globo na época relataram ser impossível que as lesões acontecessem em um procedimento de reanimação, uma vez que não havia apenas trauma no tórax.

A perícia constatou múltiplos hematomas no abdômen e nos membros superiores; infiltração hemorrágica na região frontal do crânio, na região parietal direita e occipital, ou seja, na parte da frente, lateral e posterior da cabeça; edemas no encéfalo; grande quantidade de sangue no abdômen; contusão no rim à direita; trauma com contusão pulmonar; laceração hepática (no fígado) e hemorragia retroperitoneal.

Segundo a polícia, semanas antes de ser morto, Henry foi torturado por Jairinho com o consentimento da mãe.

Fonte: GZH
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