02/06/2026 | 20:40 | Segurança 3 min de leitura
Segundo delegado Rafael Patella, crescimento dos crimes digitais foi "exponencial" nos últimos anos
A Polícia Civil colocou em funcionamento, em Rio Grande, um núcleo especializado para investigar crimes cibernéticos. Vinculada à Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), a estrutura realizou nesta terça-feira (2) a primeira operação e passa a concentrar apurações relacionadas a golpes virtuais, extorsões pela internet e outros delitos praticados no ambiente digital.
Segundo o delegado Rafael Patella, responsável pela Draco e pelo novo núcleo, a criação da unidade busca dar mais especialização às investigações e padronizar os procedimentos adotados pela polícia em um tipo de crime que tem registrado crescimento acelerado.
— A grande diferença é a especialização e a uniformização das investigações. Conseguimos estabelecer uma espécie de protocolo para que todos os casos envolvendo crimes praticados por meio digital sigam um mesmo caminho investigativo. Isso facilita tanto o atendimento às vítimas quanto o trabalho dos policiais para identificar os autores — afirma.
A primeira ação da unidade teve como foco a apuração de extorsões praticadas por aplicativos de mensagens. Foram cumpridos mandados de busca em Rio Grande e também na Penitenciária Estadual do município.
Crescimento dos crimes virtuais
De acordo com Patella, os crimes digitais tiveram aumento significativo nos últimos anos, especialmente os casos de estelionato pela internet.
— O aumento foi exponencial. Hoje, boa parte dos crimes de estelionato ocorre por meio digital. E ainda existe uma cifra que não conseguimos medir, que são as pessoas que sofrem tentativas ou até mesmo golpes e não registram ocorrência — diz.
Entre as fraudes mais frequentes identificadas pela Polícia Civil na região está o chamado golpe do falso advogado, em que criminosos se passam por profissionais da área jurídica para solicitar pagamentos indevidos. Outro crime recorrente são as extorsões por mensagens, nas quais suspeitos fingem integrar facções criminosas para exigir dinheiro de comerciantes.
Segundo o delegado, as abordagens costumam ocorrer principalmente por meio do WhatsApp e de redes sociais.
Investigações mais especializadas
Conforme a Polícia Civil, o núcleo vem investindo na capacitação de agentes, no aprimoramento de técnicas investigativas e na utilização de ferramentas tecnológicas específicas para esse tipo de apuração.
Patella ressalta que, apesar da percepção de que muitos autores atuam em locais distantes, nem sempre os criminosos estão fora da região.
— Algumas vezes eles estão em outras cidades ou estados, mas em outras situações estão aqui mesmo. A operação desta terça-feira (2) mostrou isso, porque tivemos alvos em Rio Grande e também na penitenciária local — afirma.
Orientação para vítimas
A Polícia Civil orienta moradores e comerciantes que recebam mensagens suspeitas, pedidos de dinheiro ou tentativas de extorsão a interromper imediatamente o contato com os suspeitos e preservar provas, como conversas, áudios, imagens e comprovantes de transferências.
O registro da ocorrência pode ser feito na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) ou diretamente na Draco. Após a comunicação do caso, as vítimas também poderão contar com o apoio da equipe especializada para auxiliar nas investigações.
03/06 10:52