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15/04/2026 | 05:20 | Política 5 min de leitura

CPI do Crime Organizado rejeita relatório que pedia indiciamento de Moraes, Toffoli, Gilmar Mendes e Gonet

Documento apontava suposto descumprimento de deveres pelos magistrados no caso Banco Master

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Documento apontava suposto descumprimento de deveres pelos magistrados no caso Banco Master
Alexandre de Moraes, José Antonio Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Paulo Gonet são citados em relatório da CPI. Rosinei Coutinho,Nelson Jr.,Carlos Moura,

O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, assinado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), foi rejeitado em sessão nesta terça-feira (14), por seis votos a quatro.

O texto solicitava o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) — Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes —, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Após a rejeição, o presidente do STF, ministro Luiz Edson Fachin, afirmou, em nota que "repudia forma enfática a indevida inclusão e o alegado envolvimento dos Ministros" e reafirmou que "seguirá firme em sua missão de guardar a Constituição e proteger as liberdades democráticas."

"Ninguém está acima da lei, e os direitos fundamentais prescritos na Constituição devem ser integralmente observados. A independência do Poder Legislativo deve ser preservada na apuração de fatos, sempre com responsabilidade e pertinência", diz o texto (leia a íntegra abaixo). 

Os argumentos do relator

Na justificativa do relator Alessandro Vieira (MDB-SE), ele enquadrava os ministros Dias Toffoli e Moraes nos critérios de descumprimento da lei referentes a proferir julgamento quando, por lei, sejam considerados suspeitos na causa e a proceder de modo incompatível com a honra, a dignidade e o decoro de suas funções.

No texto, o relator afirma que a CPI foi alvo de "flagrante limitação de recursos", agravada pelas "enormes barreiras políticas e institucionais levantadas na medida em que as informações sobre fatos relacionados a figuras imponentes da República" começaram a ser investigadas.

Por isso, entre os motivos de indiciamento, "é razoável que a decisão se concentre naqueles fatos e indivíduos que estão fora do alcance dos meios usuais de persecução e que podem ser sujeitos ativos de crime de responsabilidade", escreve o relator.

De acordo com Vieira, os ministros citados deveriam ter se declarado suspeitos para julgar o caso do Banco Master, devido a supostas relações de proximidade com os envolvidos no caso.

O senador ainda enquadra o ministro Gilmar Mendes no critério de proferir julgamento quando, por lei, seria considerado suspeito na causa, ao passo que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, figura na lista por ser patentemente desidioso (abertamente negligente) no cumprimento de suas atribuições.

Reação dos magistrados

Em publicação na rede social X, nesta terça-feira (14), Gilmar Mendes afirmou que não há "base legal" no pedido de indiciamento dele e dos também ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e José Antonio Dias Toffoli.

"O relatório revela verdadeira cortina de fumaça, ao deixar de enfrentar o grave problema a que se propôs e ao dedicar-se a engrossar a espuma midiática contra o STF, na expectativa de produzir dividendos eleitorais para certos atores políticos", escreveu o ministro. 

O ministro Dias Toffoli, por sua vez, afirmou que o relatório tem objetivo de "obter votos". Durante a abertura da sessão da Segunda Turma, Toffoli chamou o relatório de "excrescência" e disse que o indiciamento de ministros pode configurar abuso de poder.

— Não posso deixar de dizer das oportunas palavras em relação a essa situação de excrescência de um relatório completamente infundado, sem base jurídica, sem base em verdade factual, e com um único e nítido sentido de obter votos. Isso é abuso de poder, pode levar à inelegibilidade — comentou.

O ministro Flávio Dino também reagiu ao pedido de indiciamento dos outros integrantes do STF. Ele classificou como "gigantesco erro histórico" a tentativa de apontar a Corte como "o maior problema nacional" e criticou o que chamou de desvio de foco em investigações que deixam de lado estruturas centrais da criminalidade.

"É uma irresponsabilidade investigar o crime organizado e não tratar sobre milicianos, traficantes de drogas, vendedores de armas ilegais, garimpos ilegais, facções que controlam territórios, matadores e pistoleiros", publicou Dino.

Nota do STF 

A Presidência do Supremo Tribunal Federal repudia de forma enfática a indevida inclusão e o alegado envolvimento dos Ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, indevidamente mencionados no relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o Crime Organizado, no Senado Federal.

A Presidência reconhece que é uma garantia fundamental da democracia o exercício das Comissões Parlamentares de Inquérito, nos limites constitucionais e circunscritas à pertinência temática que deu ensejo à sua criação, como instrumento de fiscalização e controle pelo Poder Legislativo e da sociedade.

Desvios de finalidade temática dessas Comissões, todavia, enfraquecem os pilares democráticos e ameaçam os direitos fundamentais de qualquer cidadão.

Ninguém está acima da lei, e os direitos fundamentais prescritos na Constituição devem ser integralmente observados. A independência do Poder Legislativo deve ser preservada na apuração de fatos, sempre com responsabilidade e pertinência.

Este Tribunal está ciente de que cabe a todos respeitar a independência e a autonomia dos Poderes da República, como é da secular tradição de nossas instituições.

O Supremo Tribunal Federal reafirma que seguirá firme em sua missão de guardar a Constituição e proteger as liberdades democráticas.

A Presidência se solidariza, por isso, com os colegas Ministros mencionados no relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o Crime Organizado.

Brasília, 14 de abril de 2026
Ministro Luiz Edson Fachin
Presidente do Supremo Tribunal Federal

Fonte: GZH
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