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11/12/2025 | 18:43 | Política 4 min de leitura

Associação Brasileira de Imprensa aciona judicialmente Hugo Motta após retirada de jornalistas da Câmara

ABI protocolou representações após restrição aos profissionais no plenário da Casa legislativa na última terça-feira

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ABI protocolou representações após restrição aos profissionais no plenário da Casa legislativa na última terça-feira
Motta disse que a expulsão dos jornalistas do plenário da Casa se deu por

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) afirmou que vai tomar três iniciativas jurídicas e institucionais contra o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). A ação ocorre após confusão na Casa legislativa na terça-feira (9), quando a imprensa foi retirada do plenário e o sinal da TV Câmara foi cortado. 

A organização cita como justificativa para o processo "as violências cometidas pela Polícia Legislativa" na sessão. As informações são do jornal O Globo. 

"Diante da gravidade dos fatos narrados e das possíveis violações à liberdade de imprensa, ao direito à informação, à transparência pública e à integridade física de jornalistas e parlamentares, requer a Associação Brasileira de Imprensa a instauração de inquérito pelo Ministério Público Federal para apurar de forma rigorosa as circunstâncias e responsabilidades pelas condutas ocorridas no plenário da Câmara dos Deputados", diz o texto da representação encaminhada à PGR, em nome da ABI.

Iniciativas contra Motta

  • Representação na Procuradoria Geral da República (PGR), por crime de responsabilidade pelo ocorrido no plenário — que teria prejudicado o direito à liberdade de imprensa e expressão
  • Informe-Denúncia Internacional à Relatoria Especial de Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA
  • Representação na Comissão de Ética da Câmara de Deputados contra Hugo Mota, por quebra de decoro parlamentar e infração disciplinar

"Garantir a segurança dos presentes"

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, informou que a expulsão dos jornalistas do plenário da Casa se deu por questões de segurança diante da ocupação da mesa diretora pelo deputado Glauber Braga.

"Em conformidade com o Ato da Mesa nº 145/2020, a Polícia Legislativa solicitou a retirada de assessores, servidores e profissionais de imprensa do plenário para garantir a segurança dos presentes", justifica Motta em nota publicada na quinta-feira (11).

Ataque à imprensa

A Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) disse que a expulsão dos jornalistas do plenário foi "extremamente grave" e considerou a medida "um cerceamento ao trabalho da imprensa, à liberdade e ao direito de informação da população brasileira".

A presidente da Fenaj, Samira Castro, disse à Agência Brasil que a questão de segurança não justifica a ação:

— Sobretudo porque eles não foram só retirados, eles foram retirados com truculência, eles foram agredidos e isso é muito grave. A nota não nos convence porque era possível dialogar, minimamente, com aqueles trabalhadores que estavam ali fazendo o seu trabalho — disse.

Reunião desmarcada

Motta chegou a marcar uma reunião com representantes indicados pelo Comitê de Imprensa da Câmara para quarta-feira (10), mas cancelou a agenda alegando falta de tempo.

Antes dessa sessão, o plenário foi novamente fechado para imprensa sem que fosse explicado o motivo aos profissionais que costumam circular livremente pela sala principal de votações da Câmara.

Na nota desta quinta-feira, dois dias após o episódio da expulsão, Motta lamentou os transtornos causados aos profissionais de comunicação e reafirmou que não houve intenção de limitar o exercício da atividade jornalística.

"As informações apresentadas pelos jornalistas serão incorporadas à apuração em andamento a fim de identificar eventuais excessos nas providências adotadas ao longo do processo de retomada dos trabalhos", completou.

Ato contra censura

Na quarta-feira (10), um grupo de jornalistas fez um ato na Câmara dos Deputados contra a censura e a ação violenta dos policiais legislativos do dia anterior.

Imagens e relatos mostram ação violenta de policiais legislativos contra repórteres, cinegrafistas e fotógrafos que realizavam seu trabalho. Profissionais precisaram de atendimento médico por conta de agressões, que incluíram puxões, cotoveladas e empurrões.

A Associação Brasileira de Imprensa informou que irá entrar com ações judiciais contra o presidente da Câmara pelas "violências cometidas pela Polícia Legislativa".

Confusão na Câmara

O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) ocupou a cadeira da Presidência da Câmara dos Deputados e se recusou a deixar o local na tarde de terça-feira (9). 

Policiais legislativos tiraram o parlamentar à força. A transmissão da sessão foi interrompida após a fala do parlamentar. Além disso, a imprensa foi retirada do plenário e impedida de acompanhar a movimentação.

Por volta das 19h10min, Hugo Motta (Republicanos-PB) retomou a sessão.

Fonte: GZH
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