25/10/2025 | 07:03 | Polícia 2 min de leitura
Operação resultou na prisão preventiva de quatro mulheres, entre elas as proprietárias da casa noturna em que vítima trabalhava. Motivação do crime, conforme investigação da Polícia Civil, seriam alertas de uma ''entidade religiosa''
Quatro suspeitas de torturarem e manterem uma mulher de 30 anos em cárcere privado desde maio em um casa noturna de Vista Alegre do Prata foram presas preventivamente nesta sexta-feira (24). Os mandados foram cumpridos pela Polícia Civil, por meio da Delegacia de Nova Prata com apoio de agentes de Veranópolis.
As suspeitas são uma mulher de 45 anos, duas de 31 e uma de 32. Duas delas seriam sócias do local e as outras duas trabalhavam na casa noturna, localizada na linha Bento Gonçalves.
De acordo com a investigação, coordenada pela delegada Liliane Pasternak Kramm, a motivação do crime, que envolvia também violência psicológica, teria sido um alerta de uma "entidade religiosa" a uma das proprietárias do estabelecimento. Esse aviso, a partir de incorporações espirituais realizadas na boate, seria de que a vítima estaria arquitetando um plano para matar as donas desse local.
— Trata-se de um crime grave, com contornos de violência e perversidade que chocam até mesmo os policias acostumados com a violência, a motivação é macabra e causa surpresa que as demais profissionais da casa tenham aderido a esta brutalidade sem qualquer ganho — declarou a delegada.
Após o resgate, neste mês, a vítima ficou 14 dias internada. Depois, foi encaminhada a cidade da família dela, que fica no Nordeste brasileiro.
O crime foi descoberto no início deste mês pela Brigada Militar (BM). Contudo, naquele momento, não houve a configuração de flagrante.
Conforme apurado pela Polícia Civil, há registros do crime em mídias encontradas em celulares apreendidos. Além de sofrer a tortura e ser mantida em cárcere, a vítima seguia trabalhando no local como garota de programa e não recebia mais os pagamentos. A mulher trabalhava há dois anos nessa casa noturna.
Segundo a delegada, em determinado momento, como tentativa de ser salva do local, a vítima chegou a afirmar a policiais militares que o plano de matar as proprietárias era verdadeiro e que ela não estaria sofrendo a tortura.
De acordo com a Polícia Civil, houve também o acionamento para cancelamento do alvará e o recolhimento de cachorros, que estariam em más condições de tratamento e cuidado.
As suspeitas foram transferidas ao Presídio Estadual de Nova Prata, ficando à disposição do Poder Judiciário. O inquérito ainda deve ser concluído e remetido à Justiça.