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21/10/2025 | 05:20 | Polícia 3 min de leitura

Servidor da prefeitura de Campo Bom é investigado por esquema criminoso ligado a alvarás de incêndio

Operação realizada nesta segunda-feira (20) cumpriu mandados de busca e apreensão na casa do suspeito, na prefeitura e em uma empresa que seria ligada ao servidor

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Operação realizada nesta segunda-feira (20) cumpriu mandados de busca e apreensão na casa do suspeito, na prefeitura e em uma empresa que seria ligada ao servidor
Operação foi deflagrada nesta segunda-feira. Polícia Civil/Divulgação

Um servidor público da prefeitura de Campo Bom, no Vale do Sinos, é suspeito de corrupção, prevaricação e falsificação de documentos relacionados à emissão de alvarás de prevenção e proteção contra incêndio (APPCI). A Polícia Civil estima que ao menos 30 empresas tenham sido lesadas pelo esquema criminoso. 

Mandados de busca e apreensão foram cumpridos nesta segunda-feira (20), na residência do suspeito, em uma empresa supostamente ligada a ele e na sede da prefeitura. A chamada Operação Reverso apreendeu celulares, computadores e documentos ligados ao suspeito. Os materiais devem colaborar no aprofundamento da investigação. 

O servidor, de 42 anos, é funcionário de carreira e atuava como fiscal municipal, responsável por orientar empreendedores sobre a obtenção de alvarás. Ele foi afastado das funções públicas.

A ação foi coordenada pela Delegacia de Polícia de Campo Bom e contou com apoio da prefeitura, do Corpo de Bombeiros Militar e do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do RS (Crea-RS).

Como funcionava o esquema fraudulento

De acordo com as investigações, o servidor teria criado uma empresa de fachada para prestar serviços relacionados ao alvará de prevenção e proteção contra incêndio de estabelecimentos da região de Campo Bom. 

Utilizando o cargo público, ele induzia empresários que buscavam a prefeitura para obter informações sobre alvará a procurar a empresa criada por ele, sob o pretexto de que o local auxiliaria na elaboração de documentos necessários para o processo, segundo as investigações. As orientações eram repassadas de forma irregular, inclusive em casos em que a lei não exigia alvará

A empresa, então, produzia documentos técnicos falsos, utilizando dados de um suposto engenheiro que, segundo a polícia, não existe e não possui registro no Crea-RS

Com os documentos fraudulentos, os processos eram instruídos de forma irregular, possibilitando a emissão indevida dos alvarás de proteção contra incêndio. 

Conforme o delegado Rodrigo Camara, o servidor cobrava cerca de R$ 800 por empresa para realizar o processo. A polícia estima que pelo menos 30 estabelecimentos tenham sido vítimas do esquema em Campo Bom, Novo Hamburgo e Dois Irmãos. Registros indicam que a fraude era aplicada desde fevereiro de 2024.

A investigação

A apuração começou em dezembro de 2024 após o Corpo de Bombeiros Militar identificar irregularidades relacionadas ao PPCI de diversas empresas da região. Foi apurado que o servidor orientava de forma incorreta os empreendedores sobre a obtenção de alvarás e frequentemente indicava a mesma empresa para a elaboração dos documentos — muitos dos quais apresentavam indícios de falsificação. 

As irregularidades foram comunicadas à Polícia Civil, que deu início ao inquérito. A apuração não descarta a participação de outras pessoas, embora, até o momento, não haja evidências de envolvimento de terceiros.

Orientação

As empresas que foram vítimas do esquema e obtiveram alvarás com documentos falsos terão as autorizações canceladas, segundo a Polícia Civil. Elas deverão solicitar novos documentos de forma regular.

Fonte: GZH
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