04/10/2025 | 06:53 | Polícia 4 min de leitura
Até agosto, a Polícia Civil responsabilizou 11 pessoas pelo crime em 2025. Ano passado, foram sete
Até agosto, a Polícia Civil responsabilizou 11 pessoas pelo crime no Rio Grande do Sul. Em todo o ano de 2024, ocorreram sete indiciamentos. O número registrado nos primeiros oito meses de 2025 é 57% maior em relação aos 12 meses do ano passado.
Os dados foram obtidos por Zero Hora por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).
Porto Alegre lidera, com três, a quantidade de pessoas indiciadas em 2025. Também há registros de dois indiciamentos em Canoas e outros dois em Triunfo. Bagé, Palmeira das Missões, Santa Maria e Vacaria somam um inquérito cada.
Entre os indiciados neste ano está um estudante da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) que tentou participar de colação de grau com uma suástica pintada no rosto em fevereiro, em Porto Alegre.
Também na Capital, um homem foi detido com uma bandeira nazista e uma imagem de Adolf Hitler. Após investigação, ele foi responsabilizado por apologia ao nazismo.
Em Santa Maria, no centro do Estado, um servidor público foi responsabilizado após fazer gestos extremistas durante uma reunião. Na casa dele, os policiais encontraram objetos com referências à ideologia nazista.
Segundo a delegada Tatiana Bastos, da Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância (DPCI) da Polícia Civil, o crescimento de indiciamentos ocorre devido à adoção de novas estratégias de enfrentamento à apologia ao nazismo.
Em setembro de 2023, a instituição decidiu criar uma padronização para a investigação e indiciamentos da prática. O foco é evitar que ações ligadas ao nazismo fiquem de fora das estatísticas. Desde então, 22 pessoas foram indiciadas pelo crime.
— A qualificação dos dados contribui para reduzir a subnotificação. Com a classificação específica da ocorrência, conseguimos tabular melhor os dados, o que dá maior visibilidade e qualidade à investigação. Com isso, conseguimos enquadrar e classificar a apologia ao nazismo mesmo quando está somada a outras condutas, como agressão, associação criminosa e injúria — explica.
Ou seja: antes da padronização, um caso do gênero podia ficar desvinculado ou ser secundário em investigações, o que atrapalhava o rastreamento.
Por isso, a delegada é cautelosa ao afirmar que há crescimento de ações neonazistas no Estado. Isso porque há um cenário similar ao que ocorria no passado com as investigações de violência contra mulheres.
— O feminicídio não aumentou quando foi criado o indicador. O que ocorria é que antes não existia essa qualificação, então o crime não aparecia, sendo classificado como mais um homicídio. Especializar é importante para aferir quais são os principais delitos e os grupos sociais mais atingidos por essas violências — disse.
Segundo Tatiana Bastos, a padronização do trabalho foi acompanhada de uma capacitação de policiais de outros pontos do Estado, que tiveram aulas sobre grupos extremistas. Outra iniciativa é o trabalho conjunto de delegacias, que trocam informações sobre o crime. A delegada também cita operações recorrentes para coibir a prática no Estado, como a Accelerare.
Considerando os números registrados desde 2023, quando houve a padronização das investigações, o levantamento indica que 22 pessoas foram responsabilizadas por apologia ao nazismo em 10 municípios.
Ao todo, a Polícia Civil instaurou 39 inquéritos por apologia ao nazismo desde então: quatro em 2023, 14 em 2024 e 21 em 2025. Em 22 deles, ninguém foi indiciado.
A Capital concentra a maior parte das investigações:
A apologia ao nazismo se enquadra na Lei 7.716/1989, segundo a qual é crime:
Essa lei é respaldada pela Constituição, que classifica o racismo como crime inafiançável e imprescritível. Isso significa que o racismo pode ser julgado e sentenciado a qualquer momento, não importando quanto tempo já se passou desde a conduta.