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02/10/2025 | 07:46 | Polícia 3 min de leitura

Polícia prende grupo suspeito de invadir conta gov.br de juíza federal para vender carro no RS

Foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva nas cidades de Portão, Dois Irmãos, Sapiranga e Rolante

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Foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva nas cidades de Portão, Dois Irmãos, Sapiranga e Rolante
Suspeito de integrar grupo que invadiu sistema da Justiça com credenciais de juíza foi preso nesta quinta-feira. Ronaldo Bernardi / Agencia RBS

A Polícia Civil cumpriu cinco mandados de prisão preventiva nesta quinta-feira (2) por suspeita de participação em uma quadrilha que invadiu e usou de forma indevida a conta gov.br de uma juíza federal. As diligências ocorreram nas cidades de Portão, Dois Irmãos, Sapiranga, no Vale do Sinos, e Rolante, no Vale do Paranhana, além de uma ordem cumprida na Penitenciária Estadual de Canoas (Pecan).

Segundo a investigação da 3ª Delegacia de Polícia de Canoas, o objetivo principal da fraude era burlar o sistema judiciário para possibilitar a venda de um veículo que estava sob restrição judicial. A apuração apontou que o Honda Civic chegou a ser adquirido após a fraude pelo valor de R$ 77,9 mil, por um morador de Caxias do Sul.

O carro em questão havia sido apreendido em agosto do ano passado, no âmbito de uma operação contra rifas ilegais realizadas por influenciadores digitais. A mulher que ganhou o veículo em uma dessas rifas vendeu o automóvel a um comerciante. A restrição judicial foi determinada após essa negociação.

Para repassar o carro adiante, o comerciante contratou o hacker por R$ 13 mil. Com o acesso aos sistemas do Judiciário, o criminoso conseguiu remover a restrição — o que permitiu que o automóvel fosse vendido legalmente a uma revenda de veículos.

Um dos alvos é considerado o principal da chamada Operação Invasor. Ele está recolhido na Pecan e é apontado pela polícia como o operador da fraude, com antecedentes por crimes cibernéticos e patrimoniais, inclusive em outros Estados. Os demais presos teriam prestado apoio ao esquema fraudulento e um deles, contratado o serviço ilegal.

— Este é um exemplo claro de como a criminalidade se moderniza e tenta explorar brechas tecnológicas para obter lucro ilícito — afirmou a delegada Luciane Bertoletti, responsável pela investigação. 

Fraude teria ligação com mercado automotivo

A investigação teve início há cerca de um ano, quando o juiz responsável pelo processo original percebeu a retirada irregular da restrição do carro. Ela havia sido removida por meio de acessos que constavam como realizados por uma magistrada federal de São Paulo. A juíza, no entanto, negou ter realizado tal procedimento.

No percurso da investigação, a equipe policial descobriu que o desbloqueio do veículo foi feito por meio de acessos ilegítimos no sistema de Restrições Judiciais Sobre Veículos Automotores (Renajud). A plataforma foi acessada utilizando as credenciais digitais da juíza federal, sem a autorização dela.

O beneficiário direto da fraude foi identificado como um comerciante de automóveis da cidade de Rolante. Ele havia adquirido o Civic que apresentava a restrição judicial ativa e buscava revendê-lo.

Em depoimento à polícia, o comerciante afirmou que pagou R$ 13 mil a um advogado criminalista para que a "limpeza do veículo" fosse realizada. Contudo, a investigação evidenciou que ele teria, na verdade, contratado um hacker para burlar o sistema judicial. 

A polícia comprovou que a exclusão da restrição no Renajud ocorreu no mesmo dia em que o comerciante e o hacker iniciaram as tratativas da fraude. Após a liberação ilícita, o automóvel foi repassado a uma revenda em Dois Irmãos. 

O Civic foi anunciado ao público e, posteriormente, adquirido por um morador de Caxias do Sul. O comprador final, sem conhecimento da ilegalidade da transação, financiou o veículo no valor de R$ 77,9 mil.

A proprietária original do carro informou à polícia que não ocultou a restrição judicial no momento da venda. Ela também relatou que o comerciante chegou a lhe pedir apoio financeiro para cobrir os custos da fraude.

Fonte: GZH
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