30/09/2025 | 18:03 | Polícia 4 min de leitura
Análise de imagens de câmeras de segurança da instituição permitiu identificar agressões contra cinco alunos
A Polícia Civil indiciou por lesão corporal majorada e maus-tratos uma professora da Escola de Educação Infantil Estação da Criança, em São Leopoldo. Imagens de câmeras de segurança da instituição, que é conveniada à prefeitura do município do Vale do Sinos, registraram agressões da educadora contra diferentes alunos – todos menores de idade.
Delegado substituto da 1ª Delegacia de São Leopoldo e responsável pela investigação, André Serrão Izidio Da Silva conta que a análise de imagens de câmeras de segurança da instituição permitiu identificar maus-tratos contra cinco alunos. No entanto, observa que a lesão corporal majorada foi confirmada apenas contra uma das crianças – um aluno de um ano e seis meses.
Conforme o delegado, o caso em que foi constata a lesão corporal foi o que deu origem às investigação há cerca de um mês. Na época, os pais do aluno relataram à polícia que o filho sofreu uma lesão no braço direito, diagnosticada por um traumatologista e corroborada posteriormente pela perícia, em razão de um "puxão" da professora.
Os demais casos, de maus tratos, surgiram no decorrer da investigação, quando os pais de outros alunos tiveram acesso às imagens das câmeras de segurança da escola e também registraram denúncias contra a professora. Em razão do tempo, não foi possível constatar a lesão corporal nestes casos por meio de perícia. O delegado destaca que a conduta da educadora era agressiva e recorrente:
— A conduta dela era generalizada, praticamente igual para todos os alunos, só que algumas destoaram. São cinco casos de maus-tratos e um de lesão corporal — conta o delegado.
Embora tenha sido indiciada, a professora de 50 anos não teve prisão preventiva solicitada pela Polícia Civil. O delegado argumenta que ela colaborou com as investigações e se apresentou à delegacia sempre que foi solicitada.
Após o início das investigações, em agosto, a Secretária Municipal de Educação de São Leopoldo afirmou que a professora foi demitida e que ofereceu suporte pedagógico e acolhimento psicossocial ao menino vítima de lesão corporal majorada. As demais crianças que foram vítimas da educadora ainda não haviam sido identificados na época.
O que é lesão corporal majorada?
O crime de lesão corporal majorada é aplicado quando há confirmação de lesão corporal em algumas situações específicas. Com isso, a pena base em caso de condenação pode ser aumentada em até 1/3 por cada agravante observado.
No caso da professora, o delegado explica que o crime foi cometido dentro de uma escola e contra menores de idade. Apesar dos agravantes, ele diz que a pena, caso ela seja condenada, deve ficar abaixo dos quatro anos.
Origem das investigações
A investigação é realizada pela 1ª Delegacia de Polícia (DP) de São Leopoldo. A apuração começou após os pais da criança registrarem ocorrência relatando suposta agressão sofrida pelo filho no dia 20 de agosto.
Conforme os responsáveis, a criança apresentava comportamento choroso desde que foi buscada na escola naquele dia. Durante o banho, o menino aparentou dor no braço direito, levando os pais a procurarem um traumatologista.
O laudo médico apontou a existência de uma lesão no antebraço direito do menino, compatível com torção ou puxão. A hipótese de uma queda acidental teria sido descartada pelo médico, segundo a família.
Os responsáveis procuraram a escola e obtiveram imagens de câmeras de segurança que mostram uma mulher, apontada como a professora, manuseando o menino de forma brusca.
Contraponto
Em contato com a reportagem de Zero Hora nesta terça-feira a Escola de Educação Infantil Estação da Criança afirmou que ainda não foi informada pela polícia sobre o indiciamento da professora e reforçou que "a profissional já foi desligada".
Em agosto, a instituição já havia manifestado "repúdio veemente ao episódio" e informou que demitiu a professora por justa causa, além de comunicar formalmente as autoridades competentes.