30/09/2025 | 05:41 | Polícia 6 min de leitura
Júri de Vandré Centeno do Carmo, 35 anos, foi realizado nesta segunda-feira. Crime aconteceu em 2015
Após sete horas de julgamento, Vandré Centeno do Carmo, 35 anos, foi sentenciado, nesta segunda-feira (29), a 19 anos e três meses de prisão pela morte de Cíntia Beatriz Lacerda Glufke, 34 anos. O crime aconteceu em 7 de agosto de 2015, no bairro Mário Quintana, zona norte de Porto Alegre.
Carmo foi considerado culpado pelos crimes de homicídio qualificado — por uso de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima —, além do crime conexo de ocultação de cadáver. A condenação ocorre uma década após o crime.
A juíza de Direito Eveline Radaelli Buffon, titular do 1º Juizado da 2ª Vara do Júri, decretou a prisão do réu em plenário, com imediato cumprimento da pena. Ele estava em liberdade desde novembro de 2019.
Após o júri, o promotor Francisco Saldanha Lauenstein conversou com a imprensa e elogiou a avaliação dos jurados sobre o caso e provas apresentadas. No entanto, discordou da punição definida e afirma que vai recorrer para tentar aumentar a pena,
— Na nossa avaliação, esta pena está aquém do esperado, considerando todas as circunstâncias negativas, as consequências o modus operandi, toda a brutalidade com a qual foi perpetrado este delito (...) Entendemos que via recurso de apelação, podemos aumentar esta pena — disse o promotor.
Ainda segundo o representante do MPRS, a crueldade do caso pode ter inspirado o recente crime da mala que despertou a atenção nas últimas semanas em Porto Alegre. Neste caso, Brasília Costa, 65 anos, teve o corpo esquartejado e dispersado em diferentes locais da Capital, inclusive na rodoviária. O publicitário Ricardo Jardim, 66 anos, que era namorado da vítima, está preso desde o começo de setembro por suspeita de ter cometido o crime.
— Os três irmãos ficaram juntos na mesma cela que o Ricardo Jardim. Se trata, ao que tudo indica, de um crime de imitação, um copycat crime (crime que é modelado ou inspirado por um crime anterior) — afirmou o promotor, fazendo alusão ao assassinato de Brasília.
Pela manhã, ocorreu o depoimento de Vandré Centeno do Carmo, que optou pelo silêncio parcial, respondendo apenas à Defensoria Pública e aos jurados. Ele foi ouvido por cerca de 50 minutos.
O réu confessou o crime, mas negou ter premeditado a ação. Alegou estar sob efeitos de drogas e álcool e disse que precisava de coragem para pedir o fim de relacionamento com Cíntia:
— Foi coisa de momento. No dia, eu bebi para falar do fim. Ela tinha um temperamento explosivo. Eu fui aguentando, e a coisa foi piorando.
Em liberdade desde novembro de 2019, Vandré, trabalhava atualmente como vigia de um supermercado, mostrou-se tranquilo, mesmo ao trazer detalhes do crime.
O promotor do caso, Francisco Saldanha Lauenstein, levantou uma serra elétrica e um disco metálico, e perguntou ao réu se ele tinha usado equipamento semelhante para a execução do crime. Vandré confirmou com a ressalva de que o disco era "sem dentes".
Ao longo do interrogatório, disse estar arrependido:
— Eu me arrependo muito mais por ela, pela família dela, pois é algo que vou ter que carregar para o resto da vida.
O corpo de jurados foi composto por cinco mulheres e dois homens. No salão do Plenário da 2ª Vara do Júri, em Porto Alegre, onde ocorre o julgamento, os pais do réu acompanhavam a sessão, e nenhum familiar de Cíntia esteve presente.
Era previsto que Carmo fosse julgado com dois irmãos, Alan e Jean Centeno do Carmo, nesta segunda-feira. No entanto, durante o plenário, houve a cisão processual. Com isso, dois dos acusados foram dispensados em razão de uma colidência defensiva, que ocorre quando dois ou mais réus em um mesmo processo apresentam teses de defesa que se contradizem entre si, ou seja, uma defesa prejudica ou anula a outra. Ambos devem ser julgados em 10 de dezembro.
Cíntia Beatriz Lacerda Glufke, 34 anos, era mineira de Uberaba e morava em Porto Alegre. Ela era casada havia 12 anos com o programador de informática Thomas Glufke. O casal se conheceu por meio de uma rede social da igreja mórmon.
Meses antes do assassinato, os dois estariam vivendo uma crise conjugal. No dia do crime, Thomas estava em viagem a trabalho aos EUA.
Incialmente, Cíntia tinha uma relação de amizade com Carmo. Antes de morrer, ela estava desempregada, mas antes trabalhou com ele em um hotel da capital gaúcha e foram colegas em um curso de comissário de bordo. Vandré chegou a a viajar até Uberaba para conhecer a família da amiga.