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19/09/2025 | 19:42 | Polícia 3 min de leitura

Justiça afasta funcionária do Ministério Público suspeita de vazar dados para investigados

Caso envolve um ex-vereador e investigação de compra de votos por parte do crime organizado

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Caso envolve um ex-vereador e investigação de compra de votos por parte do crime organizado
Operação da PF na véspera da eleição passada já mirava esquema de compra de votos (foto). Polícia Federal / Divulgação

A Justiça Eleitoral determinou o afastamento de uma servidora do Ministério Público estadual em São Borja, na Fronteira Oeste. Ela é suspeita de vazar dados de uma investigação sobre compra de votos para familiares dos investigados. O caso é investigado pela Polícia Federal, que realizou ação de busca e apreensão de documentos e celulares dos envolvidos. A ofensiva ocorreu na quarta-feira (17).

A operação da PF, denominada Tempus Veritatis, investiga tentativa de influência do crime organizado no processo eleitoral de São Borja. Até por isso, foram realizadas também buscas na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), onde está preso um chefe de facção suspeito de influenciar no pleito daquele município. A ação dos policiais federais é sequência da operação Integridade Eleitoral, deflagrada em outubro de 2024, às vésperas da última eleição municipal.

A funcionária do MP afastada do serviço por ordem judicial é Juliane Bonfá. Ela teria avisado familiares do ex-vereador Celso Lopes (PDT), candidato na eleição passada, de que ele era investigado por compra de votos. O juiz que determinou o afastamento da servidora do Ministério Público ressalta que ela teria alertado parentes do suspeito em 13 de setembro do ano passado, antes mesmo do inquérito ser aberto oficilamente pela PF, em 17 de setembro de 2024.

Conforme a investigação da PF, Juliane teria utilizado "sua posição funcional, com acesso privilegiado a dados sensíveis dentro da Promotoria, para repassar informações aos investigados, permitindo que estes se articulassem para obstruir a Justiça". Foi com base isso que o juiz determinou o afastamento dela.

Em outubro, a PF já tinha identificado suposta interferência de uma facção criminosa na tentativa de eleição de Celso Lopes. A apuração, em conjunto com o Ministério Público, constatou apoio material e financeiro de pessoas ligadas à facção criminosa ao candidato a vereador. O caso foi objeto de reportagem do Grupo de Investigação da RBS (GDI) sobre compra de votos.

Lopes foi indiciado posteriormente, pela PF, por falsidade ideológica e fraude processual. Os policiais concluíram que o político mentiu e falsificou prova ao dizer que não compareceu a uma festa de familiares de um chefe do crime organizado na Fronteira. Ele teria ido ao evento na campanha eleitoral de 2024, na qual ele não se reelegeu.

O chefe criminoso referido é Marcos Martins Antunes, o MK, que sofreu buscas na Pasc feitas pela PF agora. Ele teria ajudado o candidato a vereador a comprar votos.

Contraponto

O que diz Celso Lopes:

Não foi localizado pela reportagem, mas o advogado dele, Guilherme Demoro, declarou, a respeito da suposta compra de votos que "não existe o mínimo indício da acusação absurda que trouxeram à luz dos holofotes populares. A acusação de conluio com uma facção criminosa na campanha não passa de uma fantasia maldosa e penalizadora para quem deu muito de sua vida a São Borja, desde a juventude". Demoro também atribui a investigação a provocação de adversários políticos de Lopes.

A reportagem não localizou os advogados de Juliane Bonfá (ela busca um criminalista de Porto Alegre para defendê-la) e Marcos Antunes. O espaço está aberto para a manifestação dos defensores deles.

Fonte: GZH
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