16/09/2025 | 05:26 | Polícia 3 min de leitura
Alvo de emboscada, ele era conhecida por atuação contra o Primeiro Comando da Capital (PCC)
Ruy Ferraz Fontes, ex-delegado-geral de São Paulo, foi assassinado a tiros na Praia Grande, no litoral sul de São Paulo, nesta segunda-feira (15). Ele foi alvo de uma emboscada enquanto saía da sede da prefeitura de Praia Grande.
Fontes ficou conhecido por sua atuação contra a facção Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele chefiou a Polícia Civil paulista entre 2019 e 2022 após ser nomeado para o cargo de delegado-geral no então governo João Doria (na época filiado ao PSDB).
Em 2006, ele foi o responsável por indiciar toda a cúpula do PCC, inclusive Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, antes de os bandidos serem isolados na penitenciária 2 de Presidente Venceslau.
Delegado de polícia por mais de 40 anos, Ruy Ferraz Fontes iniciou a carreira como delegado na Delegacia de Polícia do Município de Taguaí (Deinter 7) e, ao longo dos anos, foi delegado de polícia assistente da Equipe da Divisão de Homicídios do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).
Comandou também a 1ª Delegacia de Polícia da Divisão de Investigações Sobre Entorpecentes do Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Denarc); 5ª Delegacia de Polícia de Investigações Sobre Furtos e Roubos a Bancos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e outras delegacias e divisões na Capital.
Também esteve à frente da Delegacia Geral de Polícia do Estado de São Paulo e foi Diretor do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (DECAP).
Fontes era secretário de Administração Pública de Praia Grande e despachou na prefeitura normalmente. Quinze minutos antes de sair do prédio, conversou por telefone com o procurador de Justiça Márcio Christino.
— Fui o último a conversar com ele. Ele não estava fazendo nada ligado à segurança, estava afastado da área — afirmou o procurador.
De acordo com ele, Fontes saiu da prefeitura e foi seguido por bandidos em uma Hilux. Imagens de câmeras de segurança mostram que ele estava em alta velocidade, provavelmente fugindo dos bandidos, quando entra no cruzamento e é atingido por um ônibus. O carro capota. Os bandidos descem da picape com fuzis e atiram no delegado, que reagiu.
De acordo com o secretário-adjunto da Segurança Pública, o delegado Oswaldo Nico Gonçalves, Fontes teria conseguido balear um dos criminosos. Policiais de São Paulo foram despachados para a Baixada Santista.
Fontes assumiu a Secretaria de Administração de Praia Grande em janeiro de 2023, permanecendo na gestão que se iniciou em 2025.
Ele já havia escapado, em outra oportunidade, de uma plano para assassiná-lo. Ele trabalhava então no 69º DP, na Cohab Teotônio Vilela, em 2010. O delegado havia acabado de deixar a delegacia de Roubo a Bancos, do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), quando o plano de bandidos ligados ao PCC foi descoberto.
Fontes dirigiu ainda o departamento de Narcóticos, onde foi responsável pela primeira grande investigação que traçou as ações de Gilberto Aparecido do Santos, o Fuminho, narcotraficante do PCC que foi detido em 2020 em Moçambique e extraditado para o Brasil. Em 2019, ele comandava a Delegacia-Geral quando Marcola e a cúpula do PCC foram transferidos para presídios federais.
Uma das suspeitas da polícia é de que a ação tenha sido obra da Sintonia Restrita, o grupo de pistoleiros do PCC responsável no passado por planos para sequestrar o ex-juiz Sergio Moro e o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
— Ainda não podemos afirmar. Mas vamos tentar localizar esse bandido que ele teria baleado — afirmou Nico.