06/09/2025 | 05:33 | Polícia 3 min de leitura
Paula Lopes é investigada há oito meses pela Polícia Civil. Outros três suspeitos também prestaram depoimentos
A ex-secretária do Bem-Estar Animal de Canoas Paula Lopes, que é suspeita de ordenar eutanásias em massa e desviar dinheiro destinado ao cuidado de cães e gatos, prestou depoimento na tarde desta sexta-feira (5).
A oitiva, que começou por volta das 16h na 3ª Delegacia de Polícia de Canoas, durou cerca de uma hora e 30 minutos. Ela foi ouvida pela delegada Luciane Bertoletti, responsável pelo caso. Após o procedimento, a ex-secretária não quis dar entrevista.
O advogado de defesa de Paula, Gilson Araújo, afirmou que todos os pontos questionados pela delegada foram respondidos, incluindo questões como a suspeita de aplicação de eutanásia em cães e gatos para reduzir custos do tratamento e possíveis desvios de dinheiro para o instituto no nome da ex-secretária.
— Ela descreveu como era a metodologia de cuidado com os animais aplicada na secretaria. Acreditamos que a Paula convenceu a delegada de que as denúncias não são verdade — disse o advogado.
Araújo também mencionou que a ex-secretária se emocionou durante a oitiva. Segundo o advogado, há expectativa de que a polícia solicite a autópsia dos 14 animais encontrados dentro de um freezer na sede da secretaria para saber quais as causas das mortes.
A defesa de Paula pretende convocar uma entrevista coletiva nos próximos dias para que ela se manifeste oficialmente à imprensa.
Na operação, a polícia encontrou mais de R$ 100 mil em dinheiro na casa da ex-secretária. O advogado afirmou que esse valor era oriundo de um distrato de um imóvel que ela havia adquirido e que seria usado para investir em uma obra do instituto e que foi guardado em espécie por preferência da secretária.
Outros três investigados prestaram depoimentos na manhã desta sexta: o marido de Paula, a tia dela, que possui um sítio onde foi encontrada uma grande quantidade de medicamentos, e uma veterinária da prefeitura que assinava os documentos que permitiam as eutanásias.
A operação
Paula Lopes é investigada há oito meses pela Polícia Civil por suspeita de uso da estrutura municipal para realizar eutanásia em animais doentes e por estelionato.
Ela é apontada como principal alvo da Operação Carrasco, deflagrada na quinta-feira (4), que cumpriu seis mandados de busca e apreensão.
Paula assumiu o cargo em janeiro deste ano, no início da gestão do prefeito Airton Souza, e foi exonerada em agosto. Segundo publicação no Diário Oficial do dia 13 de agosto, a exoneração ocorreu a pedido da própria secretária.