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12/08/2025 | 07:52 | Polícia 6 min de leitura

Grupo que usava ''sósias'' e invadia contas de médicos do RS para aplicar golpes é alvo de ação em três Estados

Mandados de prisão e de buscas são cumpridos em São Paulo, no Pará e no Espírito Santo

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Mandados de prisão e de buscas são cumpridos em São Paulo, no Pará e no Espírito Santo
Criminosos usavam

Em junho deste ano, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul prendeu em São Paulo suspeitos de integrarem um grupo criminoso por trás de golpes contra médicos gaúchos. As apreensões daquela primeira fase permitiram que os policiais descobrissem como funcionava o esquema. A organização criminosa chegou a fazer uso de "sósias" das vítimas e de inteligência artificial para forjar documentos e invadir contas bancárias. 

Uma nova etapa da Operação Medici Umbra é deflagrada nesta terça-feira (12) em três Estados. A investigação é do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos. Os policiais cumprem três mandados de prisão preventiva e outros três de busca e apreensão em São Paulo (SP), em Ananindeua (PA) e em Vila Velha (ES).

— Os alvos têm por função dentro dessa organização prestar todo o suporte logístico para cometimento dos golpes. Na primeira fase, conseguimos efetuar a prisão de cinco envolvidos diretamente na execução dos golpes. Na segunda fase, conseguimos coletar elementos de provas, a partir dos mandados da primeira fase e, a partir disso, identificamos uma segunda camada de indivíduos envolvidos nesse golpe — explica o delegado Eibert Moreira Neto, diretor do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos.

Na capital paulista, é alvo dos mandados um homem que seria responsável por recrutar pessoas semelhantes às vítimas e utilizar as imagens delas para a produção de documentos falsos. Segundo a polícia, o grupo também fazia uso de inteligência artificial para alterar as imagens dessas pessoas, para que elas ficassem mais parecidas com os médicos. Eles conseguiam inclusive passar por verificações de biometria facial com o uso de selfies alteradas.

— Nós tínhamos esse indivíduo em São Paulo, que cooptava moradores de rua, que tivessem alguma semelhança com as nossas vítimas aqui no RS e, com emprego de inteligência artificial, modificavam os rostos dessas pessoas para que ficassem parecidas com as nossas vítimas — explica Moreira Neto. 

Em conversas, obtidas pela polícia, os criminosos compartilhavam imagens das vítimas e exigiam "arruma um cara assim", "acha alguém parecido". Algum tempo depois, o investigado retornava com fotos de uma pessoa com características semelhantes. 

Com isso, os golpistas puderam abrir contas bancárias em nomes das vítimas. Era por meio dessas contas que eles recebiam transferências de valores subtraídos. Esse investigado de 44 anos tem extensa folha de antecedentes por estelionato no Amazonas e em São Paulo. Ele possui outros registros ainda por roubo de carga, receptação e falsa identidade. 

No Pará, a polícia cumpre mandados contra um suspeito de 20 anos apontado como responsável por obter informações sigilosas para o grupo. Segundo a investigação, ele usava um bot (robô) de consulta automática em grupos de WhatsApp para vender dossiês de informações pessoais sobre as vítimas. De apelido "MDP", ele se intitula como "Menor do Painel".

— Quando os criminosos solicitavam dados desses médicos, esse bot retornava dados pessoais, que eram usados para a prática do golpe. Além desses, eram consultados dados de todo o Brasil. Então, por isso, a gente cumpre esses mandados aqui em Ananindeua. Vamos tentar identificar a fonte desses documentos, dessas informações que esse indivíduo tinha. Ele não tinha antecedentes, mas foi decretada a preventiva pelo Poder Judiciário do RS — afirma o delegado João Vitor Herédia, responsável pela investigação, que acompanha os mandados cumpridos no Pará.

Capixaba é alvo de novo

O terceiro alvo já esteve no centro de outras investigações da Polícia Civil do Rio Grande do Sul. O homem de 29 anos, morador de Vila Velha, é o mesmo que já havia aparecido em outra investigação, conectado aos suspeitos de aplicarem o golpe do falso advogado. Ele foi preso em 244 de julho pela polícia gaúcha no Espírito Santo. Com prisão preventiva decretada, ele foi localizado pelos policiais durante a terceira fase da Operação Falso Patrono.

Segundo a investigação, o capixaba, que segue preso, mas teve novo mandado de prisão decretado, é suspeito de ser o criminoso responsável por vender acessos a sistemas processuais para estelionatários aplicarem o golpe. Essa não seria a sua única especialidade, já que ele estaria vinculado a uma série de golpes.

Conforme a apuração, o capixaba falsificava documentos e atestados e mantinha uma gráfica clandestina. Foi dessa forma que ele apareceu durante a investigação que resultaria na Operação Medici Umbra. Neste caso, ele teria fabricado documentos falsos digitais e físicos para os golpistas se passarem pelos médicos gaúchos.

Como funcionava o golpe

Segundo a polícia, o grupo invadia a conta de e-mail das vítimas, depois conseguia, com isso, acesso à conta gov.br. Assim, essa organização criminosa tinha acesso aos documentos pessoais desses médicos, inclusive o imposto de renda. 

A partir desses dados e dos documentos falsos, produzidos com inteligência artificial e uso dos "sósias", abriam contas em nomes das vítimas em bancos e corretoras

Então, buscavam fazer transferências das contas verdadeiras para as contas novas abertas a partir da fraude.

Família do crime

Essa apuração se iniciou em janeiro, quando um médico procurou a Polícia Civil em Porto Alegre, depois de ser vítima de uma tentativa de golpe. Ele relatou que os golpistas estavam tentando fazer transferências no valor aproximado de R$ 800 mil. No caso dele, o banco suspeitou das movimentações porque se tratava de uma conta conjunta e os estelionatários enviaram o documento de outra mulher no lugar da identificação da esposa da vítima.

Até entender como os golpistas tinham conseguido acesso aos seus documentos, o médico se sentiu assustado.

— Fiquei em pânico. O que vou fazer? Não seria só a parte financeira que estaria sendo atingida. Eles tinham minha foto, sabiam onde eu morava, qual era o meu carro. Eles sabiam tudo sobre mim, minha família. Vocês não fazem ideia do que isso gera nas pessoas — disse o médico a GZH em junho deste ano.

A Delegacia de Repressão a Crimes Patrimoniais Eletrônicos descobriu que ele não era o único a ser alvo do mesmo grupo criminoso. A polícia passou a investigar e descobriu outras quatro vítimas, que passaram pelo mesmo tipo de golpe. Juntos, tiveram cerca de R$ 80 mil de prejuízo. Os médicos alvos do golpe, segundo a polícia, tinham perfis parecidos: idade superior a 60 anos e usavam o mesmo provedor de e-mail.

Foi assim que os policiais chegaram até os cinco suspeitos, alvos da primeira fase. A investigação apontou uma mulher de 28 anos, natural de São Paulo, como a líder deste grupo. Ela tem passagem pela polícia por estelionato mediante fraude eletrônica em Pernambuco e no Amazonas. Naquela ocasião, também foram presos o companheiro dela de 34 anos, além de seus outros dois irmãos de 32 e 29 anos, e o cunhado de 34 anos.

— São cinco pessoas de uma mesma família e todos eles são especializados em praticar golpes em ambiente virtual. É a verdadeira família do crime — afirma o delegado Moreira Neto.

Fonte: GZH
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