07/08/2025 | 07:43 | Polícia 4 min de leitura
Em março, idosos foram sequestrados em casa e levados por criminosos armados até Santo Antônio da Patrulha. Bandidos exigiram pagamento de R$ 1 milhão para libertar vítimas
Em março deste ano, um casal de idosos viveu mais de 24 horas de terror, após ser sequestrado em Gravataí e levado para um cativeiro, no Litoral Norte. Eles foram arrebatados pelos bandidos, no trajeto do estabelecimento comercial que mantém na Região Metropolitana e a residência. Nesta quinta-feira (7), a 1ª Delegacia de Polícia de Repressão a Roubos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) deflagrou operação contra o grupo envolvido neste crime. Seis pessoas foram presas.
São cumpridas 27 ordens judiciais — 13 prisões preventivas e 14 mandados de busca e apreensão. A operação ocorre em Porto Alegre, Gravataí, Viamão, Santo Antônio da Patrulha, São Jerônimo e Charqueadas. O objetivo é justamente desarticular essa organização criminosa, especializada no crime de extorsão mediante sequestro.
Na época, as vítimas do sequestro, com 68 e 69 anos, foram resgatadas pela Polícia Civil, com apoio da Brigada Militar, do cativeiro na área rural de Santo Antônio da Patrulha. Criminosos chegaram a fazer contato com familiares das vítimas, exigindo R$ 1 milhão para o resgate.
Na ação, logo após o ocorrido, quatro pessoas foram presas pela Polícia Civil, suspeitas do crime, entre elas uma funcionária do casal, que mantém supermercados na Grande Porto Alegre. Outros dois homens, presos da Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas, também foram identificados como os suspeitos de serem os autores das ligações que exigiam o valor do resgate. A família não chegou a pagar o valor aos bandidos.
Segundo a delegada Isadora Galian, da 1ª Delegacia de Polícia de Repressão a Roubos do Deic, o crime foi planejado e executado pelo grupo, com alto grau de sofisticação. Eles se utilizaram de informações privilegiadas, obtidas por funcionários das vítimas infiltrados para compreender a rotina do casal. O grupo era formado tanto por pessoas de fora, quanto de dentro do sistema prisional.
— As investigações apontaram que o apenado recolhido exercia papel de liderança no grupo, coordenando as ações criminosas através de aparelhos celulares. Ele mantinha contato direto com os executores do crime, orientando desde o planejamento até a execução do sequestro — explica a delegada.
A investigação apontou que o grupo havia preparado o crime ao longo de semanas, chegando a tentar por duas vezes sequestrar o casal, sem sucesso. Além disso, uma funcionária do supermercado das vítimas teria sido a responsável por fornecer informações sobre a rotina deles. Imagens de câmeras de segurança obtidas pela investigação registraram a mulher fotografando as vítimas, momentos antes de elas serem arrebatadas.
— As imagens do sistema de monitoramento do estabelecimento comercial captaram o exato momento em que a funcionária registrava a saída da vítima, transmitindo essas informações aos sequestradores, possibilitando, minutos depois, o arrebatamento — explica a delegada.
Durante o período em que as vítimas permaneceram em cativeiro, os criminosos demonstravam frieza, ameaçando as vítimas com armas de fogo todo o tempo e coagindo os familiares para fazerem o pagamento. Os bandidos alegavam que o casal seria morto, caso não fosse entregue o valor exigido.
Após as quatro prisões, com o aprofundamento das investigações, a polícia conseguiu identificar mais 13 suspeitos de envolvimento no sequestro. Um deles possui passagens pelos crimes de homicídio, roubo a estabelecimento comercial e porte de arma de fogo. A polícia obteve áudios de trocas de mensagens, nas quais o criminoso sugere matar uma das vítimas e ocultar o corpo em uma cova, caso fosse necessário.
A investigação apontou ainda que ele planejava, de dentro do sistema prisional, realizar mais 10 sequestros.
— Foi possível identificar que os próximos alvos dos criminosos seriam um médico e uma influencer, sendo encontrados, inclusive, materiais sobre as suas rotinas e detalhe da residência daquele, nos materiais apreendidos pela Polícia Civil — explica a delegada.
Nas conversas interceptadas, os criminosos detalhavam métodos de tortura que utilizariam, caso as vítimas não colaborassem, incluindo ameaças de mutilação. Em uma das gravações, um dos integrantes sugere "arrancar o dedo" da vítima para forçar a abertura de um cofre.
Além da prisão dos responsáveis pelo sequestro do casal de idosos, a operação busca também desarticular toda a e organização criminosa, para impedir novos crimes.