23/07/2025 | 08:05 | Polícia 4 min de leitura
São cumpridos 56 ordens judiciais em Porto Alegre, Eldorado do Sul, Esteio, Alvorada, Cachoeirinha, Gravataí e Santo Antônio da Patrulha
Um grupo criminoso envolvido no tráfico de drogas e na venda de armas de fogo na região das ilhas e na zona norte de Porto Alegre é alvo de operação da Polícia Civil na manhã desta quarta-feira (23). A ação é da 3ª Delegacia de Investigação do Narcotráfico (DIN), do Departamento Estadual de Investigação do Narcotráfico (Denarc) e já prendeu sete pessoas até o momento.
São cumpridas pela Operação Último Cais 56 medidas cautelares — são 31 mandados de busca e apreensão, seis de prisão preventiva, cinco de prisão temporária, dois sequestros de veículos, seis quebras de sigilo bancário e ainda seis quebras de sigilo fiscal. Parte dos alvos, segundo a polícia, já estava no sistema prisional e teve novo mandado de prisão preventiva decretado.
Os mandados são cumpridos em Porto Alegre, Eldorado do Sul, Esteio, Alvorada, Cachoeirinha e Gravataí, na Região Metropolitana, e Santo Antônio da Patrulha, no Litoral, municípios onde o grupo atuava. Há ainda ordens judiciais sendo cumpridas no Estado de Goiás. Segundo o delegado Joel Wagner, da 3ª DIN, o objetivo da ofensiva é desmantelar essa organização criminosa liderada por um dos investigados.
O líder do grupo, conforme a polícia, articulava consórcios com outros traficantes para comprar e distribuir drogas e também armamentos. Ele foi preso em flagrante com drogas na manhã desta quarta-feira.
— Ele acabou se articulando com outros grupos para a aquisição de armas e drogas. Muitas vezes, aquele indivíduo não tem o valor para pagar uma grande quantidade de drogas e acaba se aliando com outros para que e essa droga venha até o Rio Grande do Sul. Essa droga tem dois, três, quatro proprietários — afirma o delegado.
As investigações, conforme o Denarc, tiveram início após um mandado de busca cumprido contra o suspeito de ser um dos líderes do grupo. Na ocasião, foram apreendidos uma pistola calibre 9 milímetros, carregadores de celulares, mais de cem munições de calibres variados, balança de precisão, cerca de meio quilo de maconha além de outros itens relacionados ao tráfico de drogas e ao comércio ilegal de armas de fogo.
— A análise do conteúdo extraído do aparelho celular apreendido revelou a existência de uma organização criminosa altamente estruturada. Ele é nosso principal alvo, apontado como líder dessa organização. Ele coordena a venda de drogas em pontos fixos e também na modalidade de telentrega — detalha o delegado.
Esse investigado tem antecedentes por tráfico de entorpecentes, associação para o tráfico, posse e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, furtos, receptação, corrupção de menores e violência doméstica. Durante essa investigação, além do tráfico de drogas, a polícia identificou o envolvimento do grupo com o comércio ilegal de armas de fogo e lavagem de dinheiro.
— Parte dos responsáveis pelo fornecimento de drogas e armas atua a partir do interior de estabelecimentos prisionais, utilizando-se de aparelhos celulares para manter a cadeia de comando e controle da atividade criminosa — explica Wagner.
Durante a investigação, a polícia também descobriu que o grupo pode estar envolvido com drogas sintéticas. Um dos investigados foi flagrado comentando a aquisição do medicamento ketamina. Esse fármaco vem sendo desviado e comercializado de forma clandestina como droga, apelidada de special k.
— A gente tem essa suspeita da venda. Esse special k é uma droga recreativa. É muito provável que, além das drogas mais comuns, como maconha, cocaína e crack, também distribuíssem essa special k tanto nos pontos fixos quanto na tele — diz o delegado.
A polícia descobriu a origem do lote que teria sido adquirido pelo investigado. Em razão disso, são cumpridos mandados em Goiás, numa indústria farmacêutica.
— Esse lote foi fracionado em 2018 e distribuído entre várias empresas. Recentemente, a própria empresa promoveu o descarte de parte deste material, que não foi distribuído. A gente está cumprindo mandados em Goiás, para verificar o que de fato houve, se o medicamento deveria ter sido destruído ou por algum fato não foi — afirma Wagner.
Informações sobre tráfico de drogas podem ser repassadas ao Denarc-RS pelo telefone 0800-518-518.