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16/07/2025 | 08:40 | Polícia 4 min de leitura

Falsa psicóloga que atendia crianças com TDAH e autismo em Porto Alegre e região é investigada

Mulher chegou a iniciar o curso de Psicologia, há alguns anos, mas nunca concluiu a graduação

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Mulher chegou a iniciar o curso de Psicologia, há alguns anos, mas nunca concluiu a graduação
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na residência dela e nos consultórios em que ela atendia. Polícia Civil / Divulgação

Uma mulher de 33 anos foi alvo de operação da Polícia Civil, nesta terça-feira (15), por suspeita de atuar como falsa psicóloga em Porto Alegre e região. Entre os pacientes da suposta profissional, que não teve nome divulgado pela polícia, estão crianças e adolescentes com neurodivergências, incluindo transtorno do espectro autista (TEA) e transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

Ela chegou a iniciar o curso de Psicologia em uma universidade da Região Metropolitana, há alguns anos, mas nunca concluiu a graduação, segundo a polícia. 

Conforme a investigação, a mulher atendia ilegalmente há cerca de três anos, sem possuir formação necessária e sem contar com registro junto ao Conselho de Psicologia.

Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na residência dela e nos consultórios em que ela atendia, nas cidades de Porto Alegre, Guaíba e Canoas. Dentre os itens apreendidos estão receituários, documentos e recibos de pacientes, carimbo de psicóloga, canudo do curso de Psicologia e fotos com toga de formatura. 

Durante a ação, intitulada Operação Superego, equipes encontraram manuscritos nos quais ela anotava metas de faturamento. Em uma das anotações, ela estabeleceu o objetivo de ganhar R$ 10 mil em um mês com os atendimentos fraudulentos

A ação foi realizada pela 3ª Delegacia de Polícia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPPCA), em parceria com a Delegacia de Polícia (DP) de Ivoti. A operação é desdobramento de duas investigações que apuram os crimes de falsidade ideológica, exercício ilegal da profissão e estelionato.

Investigação

O caso chegou ao conhecimento da Polícia Civil em maio, após uma psicóloga de Ivoti relatar que o seu registro no Conselho Regional de Psicologia estava sendo usado de forma fraudulenta pela mulher. Depois do relato, a Delegacia de Ivoti passou a investigar o caso.

No mês seguinte, em junho, uma mãe procurou a 3ª Delegacia de Polícia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPPCA), em Porto Alegre, para relatar que a filha, de sete anos, estava sendo atendida por uma psicóloga cujo registro profissional estava no nome de outra pessoa.

Essa mãe notou o fato após ter dificuldades em conseguir documentos referentes ao tratamento psicológico da filha e decidir realizar uma pesquisa. Essa denúncia deu início à segunda investigação.

Como atuava a falsa psicóloga 

Ambas apurações descobriram que a suspeita usava o registro profissional de uma psicóloga de Ivoti, no Vale do Sinos, sem o conhecimento da verdadeira titular, para realizar os atendimentos.

Além disso, também foi descoberto que ela se apresentava nas redes sociais como psicóloga clínica, com especialização em neuropsicologia, TEA, TDAH, neurodisfunções e neuro comportamental. Esses canais digitais funcionavam para divulgar o "trabalho" e atrair novos clientes. 

O público da suposta farsante, de acordo com a polícia, seria predominantemente crianças, mas também incluía, eventualmente, adultos. Até o momento, ao menos três famílias procuraram as autoridades e realizaram registros policiais contra a mulher, após crianças serem atendidas por ela.

— Em um primeiro momento, identificamos três vítimas, três crianças que estavam sendo atendidas pela falsa psicóloga. Com o material que a gente apreendeu hoje, agendas de consultas, recibos, a gente estima que o número possa chegar a centenas de vítimas, crianças e adolescentes, muitos, aliás, com TDAH, hiperatividade, situações extremamente delicadas. É um caso de extrema gravidade e que toca a saúde pública — afirmou o delegado Fabio Motta Lopes, de Ivoti. 

A investigação também descobriu que, para compor a farsa, a suspeita teria, inclusive, forjado uma formatura e realizado um ensaio fotográfico com toga, sem nunca ter concluído o curso. 

Entre as fotos, a mulher aparece acompanhada de familiares. A polícia ainda investiga se eles tinham conhecimento do esquema fraudulento ou se ela também teria enganado parentes. 

Próximos passos

Em Ivoti, a investigação está em etapa final. O delegado Lopes esclarece que os documentos apreendidos serão analisados para o encerramento do inquérito. Nesta apuração, a suspeita já foi chamada para conversar com a polícia, mas optou por ficar em silêncio.

Na segunda investigação, junto à 3ª DPPCA, a polícia aprofundará o entendimento da fraude pelos objetos recolhidos junto à casa da suspeita e nos consultórios usados por ela. 

— A partir de agora, a gente vai começar a analisar essa documentação, procurar essas vítimas, que não sabemos sequer se sabem que foram vítimas. Depois de coletar todas essas provas, vamos chamar a suspeita para prestar o depoimento — esclarece a delegada Alice Fernandes, titular da 3ª Delegacia de Polícia de Proteção à Criança e ao Adolescente.

Busque ajuda

A Polícia Civil orienta as pessoas que acreditam que foram vítimas deste esquema registrem ocorrência policial na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento da Divisão Especial da Criança e do Adolescente (Deca), localizada na Avenida Augusto de Carvalho, 2.000, no bairro Praia de Belas, em Porto Alegre. 

Também é possível registrar na delegacia mais próxima ou na Delegacia Online. Para acessar o serviço, basta entrar nesta página, selecionar o tipo de boletim de ocorrência (BO) e preencher dados.

Fonte: GZH
Mulher chegou a iniciar o curso de Psicologia, há alguns anos, mas nunca concluiu a graduação
Dentre os itens apreendidos estão receituários, carimbo de psicóloga, canudo do curso de Psicologia e fotos com toga de formatura. Polícia Civil / Div
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