10/07/2025 | 08:10 | Polícia 2 min de leitura
Facção usava advogada para entregar drogas e celulares em prisões; operação prende 12 suspeitos
Uma advogada é investigada por atuar como fornecedora de drogas e celulares para detentos durante visitas em casas prisionais gaúchas. Ela é um dos alvos de uma operação do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) da Polícia Civil realizada nesta quinta-feira (10).
Segundo a investigação, a advogada era contratada por membros do grupo criminoso que é o centro da operação. Estão sendo cumpridos 13 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em Porto Alegre, Cachoeirinha, Gravataí, Alvorada, São Leopoldo, Novo Hamburgo e Estância Velha.
Até as 8h, 12 pessoas haviam sido presas preventivamente. Com uma delas, que seria companheira de um integrante da facção investigada e que está preso, foram encontrados 240 pinos de cocaína, dinheiro e munição de uso restrito.
A advogada, que não teve o nome divulgado, já estava presa. Ela foi detida em flagrante duas vezes ao repassar itens para clientes no parlatório — local onde detentos e advogados se encontram.
No caso mais recente, no final de maio, a advogada foi flagrada entregando sacolas a um cliente na Penitenciária Estadual Modulada de Montenegro. Na ocasião, foram apreendidos notebook, celular, 890 gramas de cocaína e mais de R$ 10 mil. Todos os itens estavam sendo repassados ao cliente. Ela está detida desde então.
Em 2021, a advogada já havia sido flagrada levando objetos embaixo das roupas em uma prisão de Charqueadas. Nesse caso, ela transportava 17 cabos USB, 15 carregadores, 16 fones de ouvido e 24 celulares.
A investigação deve seguir para identificar como era feito o pagamento para a advogada. Ainda não há dimensão de quantos clientes ela angariava com o esquema.
— Obviamente é uma prática comum. Talvez não só com os membros dessa organização, mas com outros detentos que estão presos no sistema penitenciário gaúcho — afirma o delegado Joel Wagner, responsável pela operação.
Segundo a investigação, a organização criminosa atua na venda de drogas e armas. Os demais alvos da operação são apontados como responsáveis por executar essas vendas.
Além disso, a investigação aponta para a prática de agiotagem e extorsão por meio do golpe dos nudes. Apuração aponta que eles usavam documento falso de um comissário da Polícia Civil para extrair o dinheiro das vítimas.
A Operação Solutam é um desdobramento de outra operação, deflagrada no ano passado. A ação teve origem na prisão de uma mulher em 2023. A partir daí, os policiais identificaram a atuação desta organização criminosa.