02/07/2025 | 18:53 | Polícia 5 min de leitura
Caso deu início a investigação que já identificou mais de 30 vítimas na Capital; somados, prejuízos chegam a R$ 30 milhões
Um morador de Porto Alegre teve prejuízo de mais de R$ 1 milhão ao cair duas vezes no golpe do Pix. As economias, juntadas ao longo de décadas pelo idoso de 71 anos, foram subtraídas pelos farsantes entre setembro de 2024 e março deste ano. O caso deu início a uma investigação que já identificou mais de 30 vítimas na Capital, que, somadas, tiveram prejuízos de R$ 30 milhões.
Segundo o delegado Juliano Ferreira, da 8ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre e responsável pelo inquérito, existem algumas modalidades do golpe do Pix. No caso investigado, a dinâmica é a seguinte:
Foi desta forma que o morador de Porto Alegre perdeu cerca de R$ 400 mil em setembro de 2024 e mais de R$ 600 mil no Carnaval deste ano. O prejuízo soma mais de R$ 1 milhão.
— Eles tinham me perguntado se eu havia feito um Pix de R$ 250 mil. Eu disse que não reconhecia essa transferência. Aí, eles falaram que tínhamos de resolver isso para não sair mais dinheiro da minha conta. Eles foram me passando instruções e eu embarquei nessa. Fiquei preocupado com aquele Pix e acabei transferindo mais de R$ 250 mil para eles — relata o idoso, que, ao passar as informações aos criminosos durante a fraude, também se tornou alvo de um empréstimo indesejado, de R$ 400 mil, feito pelos bandidos.
Conforme a vítima, os dois episódios trouxeram, além dos transtornos financeiros, prejuízos emocionais.
— A maior consequência foi a psicológica. Me senti muito mal. Não consigo confiar em mais ninguém. Fiquei sem dinheiro. Fiquei sem nenhum tostão. Tive sorte porque as pessoas me conheciam e me socorreram para colocar gasolina, comprar comida, tudo — afirmou.
O idoso, que sofre com uma doença crônica, não conseguiu recuperar os recursos até o momento. Ele começou o contato com os bancos para tentar reaver a quantia.
A investigação policial por parte da 8ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre teve início com este caso. Conforme o delegado Juliano Ferreira, a fraude está sendo aplicado por um grupo de criminosos especializados em estelionato virtual.
A quadrilha escolhe as possíveis vítimas a partir das redes sociais e de informações disponíveis na internet. O perfil principal escolhido para a aplicação da fraude é, segundo a polícia, pessoas idosas com vida financeira estável.
Em maio, a 8ª Delegacia de Polícia da Capital realizou operação que resultou na prisão de quatro pessoas envolvidas na fraude. Desde lá, a polícia avançou nas investigações e está realizando o mapeamento de suspeitos de integrarem a organização criminosa que residem fora do Rio Grande do Sul. Ainda não se sabe o número exato de pessoas que participam da quadrilha.
A apuração já conta com mais de 700 páginas de inquérito, entre depoimentos e provas. A polícia identificou cerca de 30 vítimas, que tiveram um prejuízo estimado em mais de R$ 30 milhões.
— Fica o alerta para a pessoa que não quer ser vítima de uma coisa dessa: confira se a pessoa está pedindo informações e não confirmando elas. Geralmente, o banco não entra em contato conosco. Quando entra é para confirmar alguma operação. Jamais o banco pede para que se faça alguma transferência de segurança. Então, quando houver essa solicitação, é golpe. Não tem exceção a essa regra — ressalta o delegado Ferreira.
O golpe investigado pela 8ª DP, no qual o criminoso se faz passar por funcionário de banco e alerta a vítima sobre uma suposta transação não autorizada, é apenas uma das modalidades envolvendo o Pix.
*Fonte: Polícia Civil e Serasa